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28 de November de 2014 - 13:24:58

68 cidades em Goiás não possui Médicos | Goiás news: Notícia 24 hs

 

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As três ambulâncias de Novo Planalto não param. Diariamente, levam pacientes para Porangatu, a maior cidade da redondeza, ou para Goiânia. O pequeno município tem menos de 4 mil habitantes, fica a 490 quilômetros da capital, no Norte do estado, e integra um grupo de 68 localidades em Goiás onde nenhum médico tem residência fixa. De acordo com Ministério da Saúde, cerca de 700 municípios brasileiros não contam com um médico sequer.

Nem mesmo salários polpudos, bem acima da média de outros trabalhadores brasileiros, conseguem atrair profissionais. A situação é recorrente em todos os cantos do Brasil. Com um problema concreto, a presidente Dilma Roussef (PT) apresentou na semana passada a proposta de “importar” profissionais estrangeiros e levá-los a esse tipo de localidade e periferias de grandes cidades. A iniciativa foi uma resposta aos protestos que tomaram conta das ruas do país, porém a intenção provocou reação imediata dos representantes da categoria.

Os moradores de Novo Planalto recebem atenção básica por meio do Programa Saúde da Família (PSF). Os dois médicos atendem a população em horário comercial, depois voltam para Porangatu, onde vivem. Mas os problemas não têm hora marcada para acontecer. Com a maior parte dos habitantes na zona rural, sobretudo em assentamentos, são frequentes as picadas de animais peçonhentos, fraturas e até mesmo partos durante a noite. Nesses casos, as ambulâncias entram em ação.

Outros 158 municípios goianos estão carentes de médicos. Eles possuem menos de um profissional para cada grupo de 1 mil habitantes, proporção preconizada pela Organização Mundial da Saúde (OMS) como a mínima necessária (veja quadro). Ao todo, 76,9% das localidades goianas necessitam de médicos. Em Goiás, somente 20 municípios possuem profissionais em número satisfatório para o órgão internacional.

RECUSA

A falta de condições técnicas para desenvolver o trabalho, os contratos precários e a distância dos grandes centros urbanos são as principais alegações dos médicos para justificarem a recusa em se fixarem nas pequenas cidades do interior. “O profissional foge de locais pouco avançados do ponto de vista tecnológico, onde não contam com infraestrutura e as prefeituras não investem em saúde”, diz o presidente em exercício do Sindicato dos Médicos do Estado de Goiás (Simego), Rafael Cardoso Martinez.

A improvisação começa no espaço de trabalho. Normalmente, os consultórios são criados em casas adaptadas para tornarem-se postos de saúde. Não raro faltam medicamentos e insumos básicos, como luvas e agulhas. “Quando o médico chega num lugar desses, as pessoas fazem consultas e esperam que você resolva os problemas dela. Mas tem situações que somente o diagnóstico clínico não dá conta”, explica Rafael. Nesses municípios, os médicos não contam nem mesmo com radiografias ou hemogramas, que ajudam na decisão de internar ou não um paciente.

“SITUAÇÃO DELICADA”

O pediatra Luiz Antônio de Souza Torres voltou para Goiânia em dezembro de 2012, após sete anos vivendo em Itaberaí. “Por atender crianças, minha situação ficava especialmente delicada. Eu não tinha acesso a um laboratório de exames por imagens e precisava interpretar o que a criança estava sentindo”, lembra. Muitas vezes ele também internou pacientes cujos familiares tiveram que arcar com soro e antibiótico.

Médico do PSF, Rogério de Oliveira Santiago passou por Goianira, Bom Jesus e Morrinhos. Sua crítica refere-se ao financiamento do Sistema Único de Saúde (SUS), que nem sempre chega ao destino final. “Ficar longe dos centros de capacitação também interfere na decisão do médico. A medicina avança muito rápido e o profissional não pode abrir mão de palestras, congressos e cursos”, diz.

Antes da importação de médicos, o governo federal havia tentado outra medida para levar médicos ao interior. Foi criado o Programa de Valorização do Profissional de Atenção Básica (Provab), com intenção de atrair médicos recém-formados às pequenas localidades.

 

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